BENSHUU Praticar grátis →
Filosofia

Questões de Epistemologia

5 questões abertas com gabarito e comentário. Toque numa alternativa pra ver se acertou, ou abra o gabarito direto.

5abertas aqui
1/2/2fáceis/médias/difíceis
Vestibular / ENEMnível
FilosofiaEpistemologia
Responda e acompanhe seus acertos aqui
Questão 1Fácil

Considere o seguinte debate entre dois estudantes de filosofia. O primeiro afirma: 'Todo o conhecimento humano começa com aquilo que percebemos pelos sentidos — sem experiência sensível, a mente não teria nenhum conteúdo para trabalhar.' O segundo responde: 'Mas existem verdades, como as da matemática e da lógica, que conhecemos com certeza apenas pelo uso da razão, independentemente de qualquer experiência sensorial particular — a razão, portanto, é a fonte mais segura de conhecimento.' Essa divergência reproduz, em linhas gerais, o debate epistemológico clássico entre:

Ver gabarito e comentário

Gabarito: B) Empirismo e racionalismo

A fala do primeiro estudante reproduz a tese central do empirismo (o conhecimento deriva da experiência sensível), enquanto a do segundo reproduz a tese central do racionalismo (existem verdades acessíveis pela razão, com certeza independente da experiência). As demais alternativas tratam de outros debates filosóficos, que não correspondem exatamente à divergência apresentada no diálogo.

Questão 2Médio

O filósofo da ciência Karl Popper, no século XX, criticou a ideia de que a ciência avança apenas acumulando observações que confirmam teorias, argumentando que nenhuma quantidade de confirmações é capaz de provar definitivamente uma teoria científica geral, pois uma única observação contrária pode refutá-la. Por isso, Popper propôs que o critério que distingue uma teoria genuinamente científica de uma teoria não científica é que a primeira deve ser, em princípio, passível de ser refutada por alguma observação ou experimento possível. Esse critério ficou conhecido como:

Ver gabarito e comentário

Gabarito: B) Falseabilidade (ou falsificacionismo)

Para Popper, o que caracteriza uma teoria científica não é a possibilidade de confirmá-la (verificacionismo), mas a possibilidade de, em princípio, refutá-la por meio de alguma observação ou experimento — esse é o critério de falseabilidade. Uma teoria que não pode ser refutada por nenhuma observação concebível, para Popper, não seria uma teoria científica no sentido estrito.

Questão 3Médio

Um estudante afirma: 'Eu sei que vai chover amanhã.' Para que essa afirmação conte, do ponto de vista da definição clássica de conhecimento, um debate que remonta à Antiguidade e dialoga com discussões presentes no Teeteto de Platão, como um caso genuíno de 'conhecimento' e não apenas de opinião ou palpite, três condições costumam ser exigidas: que a crença seja verdadeira, que o sujeito de fato acredite nela, e que essa crença esteja devidamente justificada (por exemplo, por evidências meteorológicas confiáveis). Essa definição tradicional de conhecimento é comumente resumida pela expressão:

Ver gabarito e comentário

Gabarito: B) Crença verdadeira justificada

A definição clássica de conhecimento exige três elementos: que a proposição seja verdadeira, que o sujeito acredite nela e que essa crença seja justificada por boas razões ou evidências — por isso é chamada de 'crença verdadeira justificada'. Um palpite correto por sorte, sem justificativa adequada, não contaria como conhecimento nesse sentido, ainda que por acaso seja verdadeiro. Vale notar que, no próprio Teeteto, Platão examina essa mesma tese (conhecimento como crença verdadeira justificada) e acaba refutando-a de forma aporética, sem chegar a uma definição conclusiva — o diálogo levanta objeções a essa tese, não a endossa.

Pratique Epistemologia com correção na horaNo Benshuu as questões são sorteadas pra você, com XP, ranking e revisão do que você errou. Grátis, sem cadastro.
Questão 4Difícil

O historiador e filósofo da ciência Thomas Kuhn, na obra 'A Estrutura das Revoluções Científicas', questionou a visão de que a ciência progride de forma linear e puramente cumulativa. Segundo ele, a ciência normalmente se desenvolve dentro de um 'paradigma' — um conjunto de teorias, métodos e pressupostos compartilhados por uma comunidade científica em determinado período —, resolvendo problemas dentro desse quadro (o que Kuhn chama de 'ciência normal'). Quando se acumulam anomalias que o paradigma vigente não consegue explicar, pode ocorrer uma mudança mais radical e descontínua, na qual um paradigma é substituído por outro. Esse processo de ruptura é chamado por Kuhn de:

Ver gabarito e comentário

Gabarito: B) Revolução científica (mudança de paradigma)

Kuhn descreve o desenvolvimento da ciência como alternância entre longos períodos de 'ciência normal', em que os cientistas trabalham dentro de um paradigma compartilhado, e momentos de crise seguidos por 'revoluções científicas', em que um paradigma é substituído por outro incompatível com o anterior — não se trata, portanto, de um progresso puramente linear e cumulativo. Os demais termos referem-se a conceitos de outros filósofos da ciência ou do conhecimento (Popper, a definição clássica de conhecimento e Descartes).

Questão 5Difícil

Immanuel Kant, na 'Crítica da Razão Pura', propôs uma espécie de síntese entre o racionalismo e o empirismo, afirmando que todo conhecimento começa com a experiência (concordando, nesse ponto, com os empiristas), mas que a mente humana não é uma folha em branco passiva: ela possui estruturas próprias (como as noções de espaço, tempo e causalidade) que organizam ativamente os dados sensíveis recebidos, tornando a experiência possível e inteligível. Essa proposta de Kant é frequentemente descrita como uma:

Ver gabarito e comentário

Gabarito: B) Uma 'revolução copernicana': o sujeito estrutura ativamente a experiência, e não apenas a recebe passivamente

Kant chamou sua própria proposta de 'revolução copernicana' porque, assim como Copérnico deslocou o centro do sistema astronômico, Kant deslocou o eixo da teoria do conhecimento: em vez de a mente apenas 'copiar' passivamente uma realidade externa, é o sujeito quem estrutura ativamente a experiência a partir de suas próprias formas de sensibilidade e categorias do entendimento. Isso não é nem puro empirismo nem puro racionalismo, mas uma articulação original entre os dois.

Pratique Epistemologia com correção na horaNo Benshuu as questões são sorteadas pra você, com XP, ranking e revisão do que você errou. Grátis, sem cadastro. ← Outros tópicos de Filosofia