5 questões abertas com gabarito e comentário. Toque numa alternativa pra ver se acertou, ou abra o gabarito direto.
5abertas aqui
1/2/2fáceis/médias/difíceis
Faculdade (introdutório)nível
FilosofiaFilosofia Política Avançada
Responda e acompanhe seus acertos aqui
Questão 1Fácil
Os principais teóricos contratualistas modernos — Hobbes, Locke e Rousseau — recorrem à ideia de um 'estado de natureza' hipotético, anterior à formação da sociedade civil e do Estado, como recurso argumentativo para justificar a origem e os limites do poder político. Apesar de partirem todos dessa mesma estratégia conceitual, é correto afirmar que:
Ver gabarito e comentário
Gabarito: B) Os três divergem quanto ao estado de natureza e, consequentemente, quanto aos limites do poder instituído pelo contrato
Embora os três recorram ao 'estado de natureza' como ficção teórica, Hobbes o descreve como uma guerra de todos contra todos que justifica um poder soberano forte; Locke o vê como relativamente pacífico, mas inseguro quanto à proteção de direitos naturais (vida, liberdade, propriedade), justificando um governo limitado; e Rousseau o vê como originalmente um estado de relativa inocência e igualdade, corrompido pela desigualdade social. Trata-se de uma construção teórica, não de um período histórico comprovado, o que descarta a alternativa D.
Questão 2Médio
Na obra 'Uma Teoria da Justiça', o filósofo político John Rawls propõe um experimento mental para definir princípios de justiça imparciais: imaginar indivíduos numa 'posição original' que devem escolher os princípios que regerão sua sociedade sob um 'véu da ignorância' — ou seja, sem saber de antemão qual será sua própria posição social, riqueza, talentos, gênero ou concepção de vida boa dentro dessa sociedade. A principal função argumentativa desse dispositivo do véu da ignorância é:
Ver gabarito e comentário
Gabarito: C) Impedir que os indivíduos elaborem princípios de justiça enviesados por seus próprios interesses particulares
Por não saberem, sob o véu da ignorância, qual posição social, talentos ou concepção de vida boa terão na sociedade, os indivíduos na posição original são levados a escolher princípios de justiça imparciais, razoáveis independentemente de qual posição eles próprios venham a ocupar — inclusive a pior posição possível. Esse dispositivo é uma ferramenta conceitual (um experimento mental), não um procedimento empírico ou histórico.
Questão 3Médio
Em 'O Príncipe', Nicolau Maquiavel analisa a conquista e a manutenção do poder político a partir da observação da prática efetiva dos governantes, e não a partir de um ideal moral de como o poder deveria ser exercido. Um dos aspectos mais discutidos de sua obra é a separação metodológica entre política e moral tradicional, sugerindo que, em certas circunstâncias, o governante pode precisar agir contra a virtude convencional para preservar o Estado. Essa abordagem é geralmente descrita pelos comentadores como um marco do:
Ver gabarito e comentário
Gabarito: C) Realismo político, por analisar o poder a partir da prática efetiva, não de um dever-ser moral abstrato
Maquiavel é comumente apontado como um marco do realismo político justamente por deslocar a reflexão política do plano do 'dever-ser' idealizado para o plano do 'ser' — como o poder é de fato conquistado e mantido na prática, ainda que isso implique, em certas situações, afastar-se da moral convencional. Ele não é um contratualista clássico nem um utilitarista ou anarquista, correntes posteriores e com pressupostos distintos.
A filósofa política Hannah Arendt propôs uma distinção conceitual entre 'poder' e 'violência' que se afasta de uma tradição comum no pensamento político de tratar os dois como praticamente equivalentes (poder como capacidade de impor a própria vontade, inclusive pela força). Para Arendt, o poder propriamente dito:
Ver gabarito e comentário
Gabarito: B) Surge da ação concertada de uma pluralidade de pessoas e existe enquanto o grupo permanece unido; a violência é apenas instrumental
Para Hannah Arendt, o poder é essencialmente relacional e coletivo: nasce da capacidade humana de agir em conjunto (ação concertada) e depende do apoio contínuo de um grupo, deixando de existir quando esse grupo se dispersa. A violência, ao contrário, é instrumental, pode ser exercida por um único indivíduo com os meios adequados, e para Arendt costuma ser sinal da ausência ou do colapso do poder legítimo, não sua expressão máxima — daí sua tese de que poder e violência são, em certo sentido, opostos.
Questão 5Difícil
O sociólogo e cientista político Max Weber propôs uma classificação dos tipos de dominação legítima — isto é, das razões pelas quais os indivíduos obedecem a uma autoridade e a consideram legítima. Ele distinguiu três tipos ideais: a dominação baseada na crença na santidade de tradições antigas e na legitimidade daqueles que exercem a autoridade em seu nome; a dominação baseada na devoção excepcional e pessoal a um líder, atribuída a qualidades extraordinárias deste; e a dominação baseada na crença na legalidade de normas estatuídas racionalmente e no direito de mando de quem ocupa um cargo conforme essas normas. Esses três tipos são conhecidos, respectivamente, como dominação:
Ver gabarito e comentário
Gabarito: B) Tradicional, carismática e racional-legal
Max Weber identificou três tipos puros (ideais) de dominação legítima: a tradicional (baseada em costumes e tradições consagradas), a carismática (baseada em qualidades pessoais excepcionais atribuídas a um líder) e a racional-legal (baseada em normas impessoais e procedimentos legalmente estabelecidos, típica dos Estados burocráticos modernos). As demais alternativas usam termos de outras classificações políticas ou éticas, que não correspondem à tipologia weberiana.