As 50 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do ENEM 2021 (1º dia, caderno Azul, questões 1 a 45, sendo as de 1 a 5 em Inglês ou Espanhol), com gabarito oficial e comentário nas 10 primeiras. Toque numa alternativa para conferir na hora.
Questões das provas oficiais do ENEM, aplicadas pelo INEP. O gabarito é o oficial; os comentários são do Benshuu. O Benshuu não tem vínculo com o INEP.
ENEM 2021Linguagens
Responda e acompanhe seus acertos aqui
Questão 1 · InglêsMédio
We are now a nation obsessed with the cult of celebrity. Celebrities have replaced the classic notion of the hero. But instead of being respected for talent, courage or intelligence, it is money, style and image the deciding factors in what commands respect. Image is everything. Their image is painstakingly constructed by a multitude of different image consultants to carve out the most profitable celebrity they can. Then society is right behind them, believing in everything that celebrity believes in. Companies know that people will buy a product if a celebrity has it too. It is as if the person buying the product feels that they now have some kind of connection with the celebrity and that some of their perceived happiness will now be passed onto the consumer. So to look at it one way, the cult of celebrity is really nothing more than a sophisticated marketing scheme. Celebrities though cannot be blamed for all negative aspects of society. In reality society is to blame. We are the people who seemed to have lost the ability to think for ourselves. I suppose it's easier to be told what to think, rather than challenging what we are told. The reason we are swamped by celebrity is because there is a demand for it.
(Disponível em: www.pillanemagazine.com. Acesso em: 7 dez. 2017, adaptado.)
O texto, que aborda questões referentes ao tema do culto à celebridade, tem o objetivo de
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Gabarito: C) ressaltar a necessidade de reflexão dos fãs.
O autor conclui que a sociedade perdeu a capacidade de pensar por si mesma e prefere ser guiada, cobrando reflexão do público (dos fãs) em vez de culpar apenas as celebridades.
Questão 2 · InglêsFácil
The British (serves 60 million)
Take some Picts, Celts and Silures
And let them settle,
Then overrun them with Roman conquerors.
Remove the Romans after approximately 400 years
Add lots of Norman French to some
Angles, Saxons, Jutes and Vikings, then stir vigorously.
[...]
Sprinkle some fresh Indians, Malaysians, Bosnians,
Iraqis and Bangladeshis together with some
Afghans, Spanish, Turkish, Kurdish, Japanese
And Palestinians
Then add to the melting pot.
Leave the ingredients to simmer.
As they mix and blend allow their languages to flourish
Binding them together with English.
Allow time to be cool.
Add some unity, understanding, and respect for the future,
And enjoy.
Note: All the ingredients are equally important. Treating one ingredient better than another will leave a bitter unpleasant taste.
Warning: An unequal spread of justice will damage the people and cause pain. Give justice and equality to all.
(Disponível em: www.benjaminzephaniah.com. Acesso em: 12 dez. 2018, fragmento.)
Ao descrever o processo de formação da Inglaterra, o autor do poema recorre à característica textual para evidenciar
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Gabarito: A) a riqueza da mistura cultural.
O poema usa a estrutura de uma receita culinária (ingredientes, misturar, temperar) para descrever a formação multicultural do povo britânico a partir de vários povos e etnias, evidenciando a riqueza dessa mistura cultural.
Questão 3 · InglêsMédio
Becoming
Back in the ancestral homeland of Michelle Obama, black women were rarely granted the honorific Miss or Mrs., but were addressed by their first name, or simply as "gal" or "auntie" or worse. This so openly demeaned them that many black women, long after they had left the South, refused to answer if called by their first name. A mother and father in 1970s Texas named their newborn "Miss" so that white people would have no choice but to address their daughter by that title. Black women were meant for the field or the kitchen, or for use as they saw fit. They were, by definition, not ladies. The very idea of a black woman a first lady of the land, well, that would have been unthinkable.
(Disponível em: www.nytimes.com. Acesso em: 28 dez. 2018, adaptado.)
A crítica do livro de memórias de Michelle Obama, ex-primeira-dama dos EUA, aborda a história das relações humanas na cidade natal da autora. Nesse contexto, o uso do vocábulo "unthinkable" ressalta que
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Gabarito: A) a ascensão social era improvável.
O texto mostra como mulheres negras eram tratadas de forma desumanizante nos EUA, sem direito nem a um título de tratamento; nesse contexto, tornar-se primeira-dama era algo 'impensável' (unthinkable) dado o quanto a ascensão social lhes era improvável.
Questão 4 · InglêsMédio
[Cartum: um casal caminha por uma rua olhando para os celulares; a legenda diz:]
"My desire to be well-informed is currently at odds with my desire to remain sane."
(SIPRESS. Disponível em: www.newyorker.com. Acesso em: 12 jun. 2018.)
A presença de "at odds with" na fala da personagem do cartum revela o(a)
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Gabarito: B) dificuldade de conciliar diferentes anseios.
A expressão 'at odds with' (em conflito com) evidencia a dificuldade da personagem em conciliar dois anseios contraditórios: manter-se bem-informada e, ao mesmo tempo, preservar sua sanidade mental.
Questão 5 · InglêsMédio
Exterior: Between The Museums — Day
CELINE
Americans always think Europe is perfect. But such beauty and history can be really oppressive. It reduces the individual to nothing. It just reminds you all the time you are just a little speck in a long history, where in America you feel like you could be making history. That's why I like Los Angeles because it is so...
JESSE
Ugly?
CELINE
No, I was going to say "neutral". It's like looking at a blank canvas. I think people go to places like Venice on their honeymoon to make sure they are not going to fight for the first two weeks of their marriage because they'll be too busy looking around at all the beautiful things. That's what people call a romantic place — somewhere where the prettiness will contain your primary violent instinct. A real good honeymoon spot would be like somewhere in New Jersey.
(KRIZAN, K.; LINKLATER, R. Before Sunrise: screenplay. New York: Vintage Books, 2005.)
Considerando-se o olhar dos personagens, esse trecho do roteiro de um filme permite reconhecer que a avaliação sobre um lugar depende do(a)
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Gabarito: B) perspectiva do visitante.
Celine argumenta que a percepção sobre um lugar (se é opressivo, neutro, romântico) depende de quem o observa e de sua bagagem cultural, ou seja, da perspectiva do visitante, e não de uma qualidade objetiva do lugar.
Questão 1 · EspanholMédio
Se reunieron en un volumen todas las entrevistas dadas por el poeta y dramaturgo Federico García Lorca. Lorca concedió 133 entrevistas; leyéndolas se sabrá qué estaba por detrás de la poética del escritor andaluz. Sobre su obra declaró en una de ellas: "No he sido nunca poeta de minoría. He tratado de poner en mis poemas lo de todos los tiempos, lo permanente, lo humano. A mí me ataca lo humano, es el elemento fundamental en toda obra de arte". Y en otra dijo: "Hoy no interesa más que una problemática: lo social. La obra que no siga esa dirección está condenada al fracaso, aunque sea muy buena". En su última entrevista, de junio de 1936, Lorca se muestra profético: "Ni el poeta ni nadie tiene la clave y el secreto del mundo. Quiero ser bueno. Sé que la poesía eleva y creo firmemente que si hay un más allá tendré la agradable sorpresa de encontrarme con él. Pero el dolor del hombre y la injusticia constante que mana del mundo, y mi propio cuerpo y mi propio pensamiento, me evitan trasladar mi casa a las estrellas".
(AYÉN, X. Retrato de poeta como "muchachón gitanazo". Disponível em: www.clarin.com. Acesso em: 8 dez. 2017, adaptado.)
Esse trecho de la reseña de un libro de entrevistas concedidas por Federico García Lorca tem finalidade de
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Gabarito: C) salientar o compromisso do entrevistado com as questões sociais.
As citações escolhidas ('hoy no interesa más que una problemática: lo social', 'a mí me ataca lo humano') evidenciam o compromisso de Lorca com as questões sociais e humanas em sua obra.
Questão 2 · EspanholMédio
Amuleto
Lo único cierto es que llegué a México en 1965 y me planté en casa de León Felipe y en casa de Pedro Garfias y les dije aquí estoy para lo que gusten mandar. Y les debí de caer simpática, porque antipática no soy, aunque a veces soy pesada, pero antipática nunca. Y lo primero que hice fue coger una escoba y ponerme a barrer el suelo de sus casas y luego a limpiar las ventanas y cada vez que podía les pedía dinero y les hacía compra. Y ellos me decían con ese tono español tan peculiar, esa musiquilla distinta que no los abandonó nunca, como si encircularan las zetas y las ces y como si dejaran a las eses más huérfanas y libidinosas que nunca, Auxilio, me decían, deja ya de trasegar por el piso, Auxilio, deja esos papeles tranquilos, mujer, que el polvo siempre se ha avenido con la literatura.
(BOLAÑO, R. Tres novelas. Barcelona: Círculo de Lectores, 2003.)
No fragmento do romance, a uruguaia Auxilio narra a experiência que viveu no México ao trabalhar voluntariamente para dois escritores espanhóis. Com base na relação com os escritores, ela reflete sobre a(s)
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Gabarito: A) variação linguística do espanhol.
A protagonista relembra a forma peculiar de falar dos escritores espanhóis, contrastando com o espanhol falado na América — reflexão explícita sobre a variação linguística do espanhol.
Questão 3 · EspanholDifícil
Hoy, en cuestión de segundos uno no es capaz de conocer la vida de un individuo o las actividades que lleva a cabo sin necesidad de contacto personal; las RRSS tienen la poderosa virtud de convocar concentraciones de gentes con ideários comunes y generar movimientos como la Primavera Árabe, por ejemplo.
Bajo ese parámetro, cualquier incidente puede ser inmediatamente reportado por grabación o filmación, por lo que a los aparatos celulares, más allá de su utilidad en términos de conversación, habría que calificarlos como "la guillotina del siglo XXI".
Así es. Son éstos los que han pasado a convertirse en artefactos con cuyo uso se han develado conversaciones, acuerdos, negociados, chantajes y un sin fin de hechos que han dado curso a procesos de naturaleza legal e investigativa que han tumbado gobiernos, empresas, empresarios, políticos y que, incluso, ha servido en un caso reciente, para que un inocente recupere su libertad tras cuatro años de injusto encierro.
(Disponível em: https://elpotosi.net. Acesso em: 24 jun. 2021.)
O texto trata da evolução inerente às funcionalidades de recursos tecnológicos. A expressão "la guillotina del siglo XXI" destaca que os celulares de hoje podem
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Gabarito: E) assumir utilidade jurídica.
O texto destaca casos em que gravações feitas por celular derrubaram governos e libertaram um inocente após injusto encarceramento — ou seja, evidencia a utilidade jurídica (legal e investigativa) que os celulares assumiram.
Questão 4 · EspanholMédio
En el suelo, apoyado en el mostrador, se acurrucaba, inmóvil como una cosa, un hombre muy viejo. Los muchos años lo habían reducido y pulido como las aguas a una piedra o las generaciones de los hombres a una sentencia. Era oscuro, chico y reseco, y estaba como fuera del tiempo, en una eternidad.
(BORGES, J. L. Artificios. Madri: Alianza Cien, 1995.)
No âmbito literário, são mobilizados diferentes recursos que visam à expressividade. No texto, a analogia estabelecida pela expressão "como las aguas a una piedra" tem a função de
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Gabarito: A) enfatizar a ação do tempo sobre a personagem.
A comparação entre o desgaste do velho pelos anos e o desgaste de uma pedra pela água ao longo do tempo enfatiza justamente a ação corrosiva e lenta do tempo sobre a personagem.
Questão 5 · EspanholFácil
[Charge: um homem sentado no chão, encolhido, exclama "¡Por Dios! ¿Qué le ha pasado al mundo?" ao ver outro homem lendo um jornal com manchetes "GUERRA, CRISIS, INSEGURIDAD, MISERIA, VIOLENCIA, OBSCENO". O segundo homem responde: "NOSOTROS."]
(ERLICH. Disponível em: https://mansunides.org. Acesso em: 5 dez. 2018.)
A charge evoca uma situação de assombro frente a uma realidade que assola as sociedades contemporâneas. Seu efeito humorístico reside na crítica diante do(a)
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Gabarito: A) constatação do ser humano como o responsável pela condição caótica do mundo.
A resposta seca 'NOSOTROS' (nós) à pergunta sobre o que aconteceu ao mundo revela, com humor ácido, que o próprio ser humano é o responsável pelo caos (guerra, crise, insegurança, miséria, violência) do mundo contemporâneo.
Um asteroide de cerca de um mil metros de diâmetro, viajando a 288 mil quilômetros por hora, passou a uma distância insignificante — em termos cósmicos — da Terra, pouco mais do dobro da distância que nos separa da Lua. Segundo os cálculos matemáticos, o asteroide cruzou a órbita da Terra e somente não colidiu porque ela não estava naquele ponto de interseção. Se ele tivesse sido capturado pelo campo gravitacional do nosso planeta e colidido, o impacto equivaleria a 40 bilhões de toneladas de TNT, ou o equivalente à explosão de 40 mil bombas de hidrogênio, conforme calcularam os computadores operados pelos astrônomos do programa de Exploração do Sistema Solar da Nasa; se caísse no continente, abriria uma cratera de cinco quilômetros, no mínimo, e destruiria tudo o que houvesse num raio de milhares de outros; se desabasse no oceano, provocaria maremotos que devastariam imensas regiões costeiras. Enfim, uma visão do Apocalipse.
(Disponível em: http://bdjur.stj.jus.br. Acesso em: 23 abr. 2010.)
Qual estratégia caracteriza o texto como uma notícia alarmante?
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Gabarito: B) A recorrência de formulações hipotéticas.
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Questão 7Médio
A draga
A gente não sabia se aquela draga tinha nascido ali, no Porto, como um pé de árvore ou como uma duna.
— E que fosse uma casa de peixes?
Meia dúzia de loucos e de bêbados moravam dentro dela, enraizados em suas ferragens.
Dos viventes da draga era um meu amigo Mário-pega-sapo.
[...]
Quando Mário morreu, um literato oficial, em necrológio caprichado, chamou-o de Mário-Captura-Sapo. Ai que dor!
Ao literato cuja fazia-lhe nojo a forma coloquial.
Queria captura em vez de pega para não macular (sic) a língua nacional lá dele...
[...]
Da velha draga
Abrigo de vagabundos e de bêbados, restaram as expressões: estar na draga, viver na draga por estar sem dinheiro, viver na miséria
Que ora ofereço ao filólogo Aurélio Buarque de Hollanda
Para que as registre em seus léxicos
Pois que o povo já as registrou.
(BARROS, M. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990, fragmento.)
Ao criticar o preciosismo linguístico do literato e ao sugerir a dicionarização de expressões locais, o poeta expressa uma concepção de língua que
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Gabarito: D) valoriza o uso de variedades populares.
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Questão 8Médio
O documentário O menino que fez um museu, direção de Sérgio Utsch, produção independente de brasileiros e britânicos, gravado no Nordeste em 2016, mais precisamente no distrito Dom Quintino, zona rural do Crato, foi premiado em Londres, pela Foreign Press Association (FPA), a associação de correspondentes estrangeiros mais antiga do mundo, fundada em 1888.
De acordo com o diretor, O menino que fez um museu foi o único trabalho produzido por equipes fora do eixo Estados Unidos-Europa entre os finalistas. O documentário conta a história de um Brasil profundo, desconhecido até mesmo por muitos brasileiros. É apresentado com o carisma de Pedro Lucas Feitosa, 11 anos.
Quando tinha 10 anos, Pedro Lucas criou o Museu de Luiz Gonzaga, que fica no distrito de Dom Quintino. A ideia surgiu após uma visita que o garoto fez, em 2013, quando tinha 8 anos, ao Museu do Gonzagão, em Exu, Pernambuco. Pedro decidiu criar o próprio lugar de exposição para homenagear o rei e o local escolhido foi a casa da sua bisavó já falecida, que fica ao lado da casa dele, na rua Alto de Antena.
(Disponível em: www.opovo.com.br. Acesso em: 18 abr. 2018.)
No segundo parágrafo, a citação afirma que o documentário 'foi o único trabalho produzido por equipes fora do eixo Estados Unidos-Europa entre os finalistas'. No texto, esse recurso expressa uma estratégia argumentativa que reforça a
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Gabarito: C) proeza da premiação de uma história ambientada no interior do Nordeste brasileiro.
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Questão 9Médio
A volta do marido pródigo
— Bom dia, seu Marrinha! Como passou de ontem?
— Bem. Já sabe, não é? Só ganha meio dia. [...]
Lá além, Generoso cotuco Tercino:
— [...] Vai em festa, dorme que-horas, e, quando chega, ainda é todo enfeitado e salamistrão!...
— Que é que hei de fazer, seu Marrinha... Amanheci com uma nevralgia... Fiquei com cisma de apanhar friagem...
— Hum...
— Mas o senhor vai ver como eu toco o meu serviço e ainda faço este povo trabalhar...
[...]
Pintão suou para desprender um pedroço, e teve de pular para trás, para que a laje lhe não esmagasse um pé. Pragueja:
— Quem não tem brio engorda!
— É... Esse sujeito só é isso, e mais isso... — opina Sidu.
— Também, tudo p'ra ele sai bom, e no fim dá certo... — diz Correia, suspirando e retomando o enxadão. — 'Pra uns, as vacas morrem ... p'ra outros até boi pega a parir...'.
Seu Marra já concordou:
— Está bem, seu Laio, por hoje, como foi por doença, eu aponto o dia todo. Que é a última vez!... E agora, deixa de conversa fiada e vai pegando a ferramenta!
(ROSA, J. G. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967.)
Esse texto tem importância singular como patrimônio linguístico para a preservação da cultura nacional devido
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Gabarito: D) ao emprego de ditados populares que resgatam memórias e saberes coletivos.
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Questão 10Difícil
Intenso e original, Son of Saul retrata horror do holocausto
Centenas de filmes sobre o holocausto já foram produzidos em diversos países do mundo, mas nenhum é tão intenso como o húngaro Son of Saul, do estreante em longa-metragens László Nemes, vencedor do Grande Prêmio do Júri no último Festival de Cannes.
Ao contrário da grande maioria das produções do gênero, que costuma oferecer uma variedade de informações didáticas e não raro cruza diferentes pontos de vista sobre o horror do campo de concentração, o filme acompanha apenas um personagem.
Ele é Saul (Géza Röhrig), um dos encarregados de conduzir as execuções de judeus como ele que, por um dia e meio, luta obsessivamente para que um menino já morto — que pode ou não ser seu filho — tenha um enterro digno e não seja simplesmente incinerado.
[...]
Ver toda essa via crucis é por vezes duro e exige certa entrega do espectador, mas certamente é daquelas experiências cinematográficas que permanecem na cabeça por muito tempo.
O longa já está sendo apontado como o grande favorito ao Oscar de filme estrangeiro. Se levar a estatueta, certamente não faltará quem diga que a Academia tem uma preferência por quem aborda a 2ª Guerra. Se mais que exista uma dose de verdade na afirmação, premiar uma abordagem tão ousada e radical como Son of Saul não deixaria de ser um passo à frente dos votantes.
(Carta Capital, n. 873, 22 out. 2015.)
A resenha é, normalmente, um texto de base argumentativa. Na resenha do filme Son of Saul, o trecho que se constitui como opinião implícita é
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Gabarito: E) '[...] premiar uma abordagem tão ousada e radical como Son of Saul não deixaria de ser um passo à frente dos votantes'.
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Questão 11Médio
Sinhá
Se a dona se banhou
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem
Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê
Que nunca vi Sinhá
[...]
Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá
Para que vosmincê
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá
Mas oro por Jesus
Para que vassuncê
Me tira a luz.
(CHICO BUARQUE; JOÃO BOSCO. Chico. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2011, fragmento.)
No fragmento da letra da canção, o vocabulário empregado e a situação retratada são relevantes para o patrimônio linguístico e identitário do país, na medida em que
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Gabarito: A) remetem à violência física e simbólica contra os povos escravizados.
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Questão 12Fácil
[Anúncio: à esquerda, uma garrafa PET com um rótulo dizendo 'ESSE PET É DESCARTÁVEL.'; à direita, um cão dizendo 'ESSE NÃO.' 'ABANDONO É CRIME. LEI FEDERAL Nº 9.605/98']
(Disponível em: www.deskgram.org. Acesso em: 12 dez. 2018, adaptado.)
A associação entre o texto verbal e as imagens da garrafa e do cão configura recurso expressivo que busca
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Gabarito: D) sensibilizar o público em relação ao abandono de animais domésticos.
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Questão 13Médio
[Tirinha de Henfil, em seis quadrinhos: uma formiga (personagem "Graúna"/formiga) declara, ao lado de um cacto: "Quando neném nascer, renunciarei aos prazeres mundanos..."; depois: "Renunciarei à vida folgaza, renunciarei à busca da beleza física!"; depois: "Renunciarei à vida social! Renunciarei aos projetos individualistas!"; e no último quadrinho: "Assim termina mais um capítulo na luta da mulher por sua emancipação..."]
(HENFIL. Disponível em: https://medium.com. Acesso em: 29 out. 2018, adaptado.)
Nessa tirinha, produzida na década de 1970, os recursos verbais e não verbais sinalizam a finalidade de
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Gabarito: C) ironizar as condições de igualdade.
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Questão 14Médio
A crise dos refugiados imortalizada para sempre no fundo do mar
[Foto: esculturas submarinas mostrando um grupo de pessoas amontoadas sobre uma jangada, com expressões de abandono e medo.]
(TAYLOR, J. C. A balsa de Lampedusa. Instalação. Museu Atlântico, Lanzarote, Canárias, 2016, detalhe.)
A balsa de Lampedusa, nome da obra do artista britânico Jason de Caires Taylor, é uma das instalações criadas por ele para compor o acervo do primeiro museu submarino da Europa, o Museu Atlântico, localizado em Lanzarote, uma das ilhas do arquipélago das Canárias.
Lampedusa é o nome da ilha italiana onde a grande maioria dos refugiados que saem da África ou de países como Síria, Líbano e Iraque tenta chegar para conseguir asilo para o continente europeu.
As esculturas do Museu Atlântico ficam a 14 metros de profundidade nas águas cristalinas de Lanzarote.
Na balsa, estão dez pessoas. Todas têm no rosto a expressão do abandono. Entre elas, há algumas crianças. Uma delas, uma menina debruçada sobre a beira do bote, olha sem esperança o horizonte. A imagem é tão forte que dispensa qualquer palavra. Exatamente o papel da arte.
(Disponível em: http://conexaoplaneta.com.br. Acesso em: 22 jun. 2019, adaptado.)
Além de apresentar ao público a obra A balsa de Lampedusa, essa reportagem cumpre, paralelamente, a função de chamar a atenção para
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Gabarito: E) a arte como perpetuadora de episódios marcantes da humanidade que têm de ser relembrados para que não se tornem a acontecer.
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Questão 15Difícil
TEXTO I
Correu à sala dos retratos, abriu o piano, sentou-se e espalmou as mãos no teclado. Começou a tocar alguma coisa própria, uma inspiração real e pronta, uma polca, uma polca buliçosa, como dizem os anúncios. Nenhuma repulsa da parte do compositor; os dedos iam arrancando as notas, ligando-as, meneando-as; dir-se-ia que a musa compunha só, teclando ou escrevendo, sem os vãos esforços da véspera, sem exasperação, sem nada pedir ao céu, sem interrogar os olhos de Mozart. Nenhum tédio. Vida, graça, novidade, escorriam-lhe da alma como de uma fonte perene.
(ASSIS, M. Um homem célebre. Disponível em: www.biblio.com.br. Acesso em: 2 jun. 2019.)
TEXTO II
Um homem célebre expõe o suplício do músico popular que busca atingir a sublimidade da obra-prima clássica, e com ela a galeria dos imortais, mas que é traído por uma disposição interior incontrolável que o empurra implacavelmente na direção oposta. Pestana, célebre nos saraus, salões, bailes e ruas do Rio de Janeiro por suas composições irresistíveis dançantes, esconde-se dos rumores à sua volta num quarto povoado de ícones da grande música europeia, mergulha nas sonatas do classicismo vienense, prepara-se para o supremo salto criativo e, quando dá por si, é o autor de mais uma inelutável e saltitante polca.
(WISNIK, J. M. Machado maxixe: o caso Pestana. Teresa: revista de literatura brasileira, 2004, adaptado.)
O conto de Machado de Assis faz uma referência velada ao maxixe, gênero musical inicialmente associado à escravidão e à mestiçagem. No Texto II, o conflito do personagem em compor obras do gênero é representativo da
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Gabarito: D) tensa relação entre o erudito e o popular na constituição da música brasileira.
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Questão 16Médio
Devagar, devagarinho
Desacelerar é preciso. Acelerar não é preciso. Afobados e voltados para o próprio umbigo, operamos automatizados, falas robóticas e silêncios glaciais. Ilustra bem esse estado de espírito a música Sinal fechado (1969), de Paulinho da Viola. Trata-se da história de dois sujeitos que se encontram inesperadamente em um sinal de trânsito. A conversa entre ambos, porém, se deu rápida e rasteira. Logo, os personagens se despedem, com a promessa de se verem em outra oportunidade. Percebe-se um registro de comunicação vazia e superficial, cuja tônica foi o contato ligeiro e superficial construído pelos interlocutores: "Olá, como vai? / Eu vou indo, e você, tudo bem? / Tudo bem, eu vou indo correndo, / pegar meu lugar no futuro. / E você? / Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono / tranquilo, quem sabe? / Quanto tempo... / Pois é, quanto tempo... / Me perdoe a pressa / é a alma dos nossos negócios... / Oh! Não tem de quê. / Eu também só ando a esmo".
O culto à velocidade, no contexto apresentado, se coloca como fruto de um imediatismo processual que celebra o alcance dos fins sem dimensionar a qualidade dos meios necessários para atingir determinado propósito. Tal conjuntura favorece a lei do menor esforço — a comodidade — e prejudica a lei do maior esforço — a dignidade.
Como modelo alternativo à cultura fast, temos o movimento slow life, cujo propósito, resumidamente, é conscientizar as pessoas de que a pressa é inimiga da perfeição e do prazer, buscando assim reeducar seus sentidos para desfrutar melhor os sabores da vida.
(SILVA, M. F. L. Boletim UFMG, n. 1749, set. 2011, adaptado.)
Nesse artigo de opinião, a apresentação da letra da canção Sinal fechado é uma estratégia argumentativa que visa sensibilizar o leitor porque
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Gabarito: B) exemplifica o fato criticado no texto com uma situação concreta.
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Questão 17Difícil
A história do futebol brasileiro contém, ao longo de um século, registros de episódios racistas. Eis o paradoxo: se, de um lado, a atividade futebolística era depreciada aos olhos da "boa sociedade" como profissão destinada aos pobres, negros e marginais, de outro, achava-se investida do poder de representar e projetar a nação em escala mundial. A Copa do Mundo no Brasil, em 1950, viria a se constituir, nesse sentido, em uma rara oportunidade. Contudo, na decisão contra o Uruguai sobreveio o inesperado revés. As crônicas esportivas elegiam o goleiro Barbosa e o defensor Bigode como bodes expiatórios, "descarregando nas costas" dos jogadores os "prejuízos" da derrota. Uma chibata moral, eis a sentença proferida no tribunal dos brancos. Nos anos 1970, por não atender às expectativas normativas suscitadas pelo estereótipo do "bom negro", Paulo César Lima foi classificado como "jogador-problema". Ele esboçava a revolta da chibata no futebol brasileiro. Enquanto Barbosa e Bigode, sem alternativa, suportaram o linchamento moral na derrota de 1950, Paulo César contra-atacava os que pretendiam condená-lo pelo insucesso de 1974. O jogador assumia as cores e as causas defendidas pela esquadra dos pretos em todas as esferas da vida social. "Sinto pele esse racismo subjacente", revelou à imprensa francesa. "Isto é, ninguém ousa pronunciar a palavra 'racismo'. Mas posso garantir que ele existe, mesmo na Seleção Brasileira." Sua ousadia consistiu em pronunciar a palavra interdita no espaço simbólico do discurso oficial para reafirmar o mito da democracia racial.
(Disponível em: https://observatorioracialfutebol.com.br. Acesso em: 22 jun. 2019, adaptado.)
O texto atribui o enfraquecimento do mito da democracia racial no futebol à
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Gabarito: E) atitude contestadora de um 'jogador-problema'.
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Questão 18Médio
[Pintura: uma jovem indígena, seminua, flutua morta na água, com flores e adereços; cena de estilo romântico.]
(MEIRELLES, V. Moema. Óleo sobre tela, 129 cm x 190 cm. Masp, São Paulo, 1866.)
(Disponível em: www.masp.art.br. Acesso em: 13 ago. 2012, adaptado.)
Nessa obra, que retrata uma cena de Caramuru, célebre poema épico brasileiro, a filiação à estética romântica manifesta-se na
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Gabarito: D) representação dramática e idealizada do corpo da índia.
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Questão 19Fácil
Coincidindo com o Dia Internacional dos Direitos da Infância, foram apresentados diversos trabalhos que mostram as mudanças que afetam a vida das crianças. Um desses estudos compara o que sonham e brincam as crianças hoje em relação às dos anos 1990. E o que se descobriu é que as crianças têm agora menos lazer e estão sobrecarregadas por deveres e atividades extracurriculares do que as de 25 anos atrás. As crianças de hoje não só dedicam menos tempo para brincar, como também, quando brincam, a maioria não o faz com outras crianças no parque, na rua ou na praça, mas em casa e muitas vezes sozinhas. E já não brincam tanto com brinquedos, mas com aparelhos eletrônicos, entre os quais predomina o jogo individual com a máquina.
(OLIVA, M. P. O direito das crianças ao lazer... e a crescer sem carências. El País, 20 nov. 2015, adaptado.)
O texto indica que as transformações nas experiências lúdicas na infância
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Gabarito: D) promoveram uma vivência corporal menos ativa.
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Questão 20Médio
Que tal transformar a internet em palco para a dança?
O coreógrafo e bailarino Didier Mulleras se destaca como um dos criadores que descobriram a dança de outro ponto de vista. Mini@tures é uma experiência emblemática entre movimento, computador, internet e vídeo. Com os recursos da computação gráfica, a dança das miniaturas pode caber na palma da mão. Pelo fato de usar a internet como palco, o processo de criação das miniaturas de dança levou em consideração os limites de tempo de download e o tamanho de arquivo, para que um número maior de "espectadores" pudesse assistir. A graça das miniaturas está justamente na contaminação entre mídias: corpo/dança/computação gráfica/internet. De fato, é a rede que faz a maior diferença nesse grupo. Mini@tures explora uma nova dimensão que descobre o espaço-tempo da web e a conquista um novo território para a dança contemporânea. A qualquer hora, dança on-line.
(SPANGHERO, M. A dança dos encéfalos acesos. São Paulo: Itaú Cultural, 2003, adaptado.)
Considerado o primeiro projeto de dança contemporânea concebido para a rede, esse trabalho é apresentado como inovador por
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Gabarito: D) produzir uma arte multimodal, com o intuito de ampliar as possibilidades de expressão estética.
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Questão 21Difícil
TEXTO I
O mito da estiagem em São Paulo
Os estoques de água doce são inesgotáveis, na medida em que são alimentados principalmente pelos oceanos, infinitos via evaporação e precipitação, ou seja, pelo ciclo hidrológico, que depende de forças físicas as quais o homem nunca poderá interromper. Enquanto existirem, o ciclo funcionará e os estoques de água doce nos continentes serão repostos indefinidamente.
Obviamente que a água não se distribui equitativamente pelo planeta. Há regiões com muita água, normalmente na zona tropical, na qual a evaporação é maior, e regiões áridas, onde, por razões específicas da dinâmica climática, as taxas de evaporação são maiores do que a precipitação, gerando déficit de reposição de estoques de água doce.
(Disponível em: www.cartanaescola.com.br. Acesso em: 17 jan. 2015, adaptado.)
TEXTO II
O processo de sedimentação no fundo do lago de um reservatório é um processo lento. Os sedimentos vão formando argila, que é uma rocha impermeável. Então, a água daquele lago não vai alimentar os aquíferos. Mesmo tendo muita quantidade de água superficial, ela não consegue penetrar no solo para alimentar os aquíferos. Se não for usada no consumo, ela vai simplesmente evaporar e vai cair em outro lugar, levada pelas correntes aéreas. Isso é outro motivo pelo qual os aquíferos não conseguem recuperar seu nível, porque não recebem água.
(Disponível em: www.jornalopcao.com.br. Acesso em: 17 jan. 2015, adaptado.)
Os textos I e II abordam a situação dos reservatórios de água doce do planeta. Entretanto, a divergência entre eles está na ideia de que é possível
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Gabarito: A) manter os estoques de água doce.
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Questão 22Médio
Os linguistas têm notado a expansão do tratamento informal. "Tenho 78 anos e devia ser tratado por senhor, mas meus alunos mais jovens me tratam por você", diz o professor Ataliba Castilho, aparentemente sem se incomodar com a informalidade, inconcebível em seus tempos de estudante. O você, porém, não reinará sozinho. O tu predomina em Porto Alegre e convive com o você no Rio de Janeiro e em Recife, enquanto você é o tratamento predominante em São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Salvador. O tu já era mais próximo e menos formal que você nas quase 500 cartas do acervo on-line de uma instituição universitária, quase todas de poetas, políticos e outras personalidades do final do século XIX e início do XX.
(Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br. Acesso em: 21 abr. 2015, adaptado.)
No texto, constata-se que os usos de pronomes variaram ao longo do tempo e que atualmente têm empregos diversos pelas regiões do Brasil. Esse processo revela
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Gabarito: B) a possibilidade de se usar tanto 'tu' quanto 'você' caracteriza a diversidade da língua.
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Questão 23Médio
O solo A morte do cisne, criado em 1905 pelo russo Mikhail Fokine a partir da música do compositor francês Camille Saint-Saens, retrata o último voo de uma ave antes de morrer.
A versão original, uma bailarina com figurino impecavelmente branco e na ponta dos pés interpreta a agonia da ave até desfalecer.
Em 2012, John Lennon da Silva, de 20 anos, morador do bairro de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, elaborou um novo jeito de dançar a coreografia imortalizada pela bailarina Anna Pavlova. No lugar do colã e das sapatilhas, vestia calças jeans, camiseta e tênis. Em vez de balé, trouxe o estilo popping da street dance. Sua apresentação inovadora de A morte do cisne, que foi ao ar no programa Se ela dança, eu danço, virou hit no YouTube.
(Disponível em: www.correiobraziliense.com.br. Acesso em: 18 jun. 2019, adaptado.)
A forma original de John Lennon da Silva reinterpretar a coreografia de A morte do cisne demonstra que
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Gabarito: B) a criação artística foi beneficiada pelo encontro de modelos oriundos de diferentes realidades socioculturais.
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Questão 24Difícil
Seus primeiros anos de detento foram difíceis; aos poucos entendeu como o sistema funciona. Apanhou dezenas de vezes, teve o crânio esmagado, o maxilar deslocado, braços e pernas quebrados; por fim, um dia ficou lesionado da perna quando foi jogado da laje de um pavilhão. Nem todas as vezes ele soube por que apanhou, muito menos da última, quando foi deixado para morrer, mas sobreviveu. Seu corpo, moído no inferno, aguarda o fim dos dias. Já não questiona mais. Obedece. Cumpre as ordens. Baixa a cabeça e se retira. Apanha, às vezes com motivo, às vezes sem. Derramaram seu sangue. Seu rastro pode ser seguido. Intriga ter sobrevivido durante tantos anos. Poucuíssimos chegaram à terceira idade encarcerados.
(MAIA, A. P. Assim na terra como embaixo da terra. Rio de Janeiro: Record, 2017.)
A narrativa concentra sua força expressiva no manejo de recursos formais e numa representação ficcional que
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Gabarito: B) trazem à tona atitudes de um estado de exceção.
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Questão 25Médio
— O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar num troço chamado autoridades constituídas? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Que existe uma coisa chamada Exército Brasileiro, que o senhor tem de respeitar? Que negócio é esse? [...] Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali, no duro: "dura lex"! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o General, tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor. [...] Foi então que a mulher do vizinho do General intervieio: — Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido? O delegado apenas olhou-a, espantado com o atrevimento: — Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso importunaram o General, ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está mais importunando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um Major do Exército, sobrinha de um Coronel, e filha de um General! Morreu? Estarrecido, o delegado só teve força para engolir em seco e balbuciar humildemente: — Da ativa, minha senhora?.
(SABINO, F. A mulher do vizinho. In: Os melhores contos. Rio de Janeiro: Record, 1986.)
A representação do discurso intimidador engendrada no fragmento é responsável por
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Gabarito: E) exaltar relações de poder estereotipadas.
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Questão 26Médio
Os velhos papéis, quando não são consumidos pelo fogo, às vezes acordam de seu sono para contar notícias do passado.
É assim que se descobre algo novo de um nome antigo, sobre o qual já se julgava saber tudo, como Machado de Assis.
Por exemplo, você provavelmente não sabe que o autor carioca, morto em 1908, escreveu uma letra do hino nacional em 1867 — e não poderia mesmo, porque os versos seguiam inéditos. Até hoje.
Essa letra acaba de ser descoberta, em um jornal antigo de Florianópolis, pelo pesquisador independente Felipe Rissato.
"Das florestas em que habito/ Solto um canto varonil:/ A ti honra e glória de Pedro/ O gigante do Brasil", diz o começo do hino, composto de sete estrofes em redondilhas maiores, ou seja, versos de sete sílabas poéticas. O trecho também é o refrão da música.
O Pedro mencionado é o imperador Dom Pedro II. O bruxo do Cosme Velho compôs a letra para o aniversário dos 42 anos do monarca, em 2 de dezembro daquele ano — o hino seria apresentado naquele dia no teatro da cidade de Desterro, antigo nome de Florianópolis.
(Disponível em: www.revistaprosaversoearte.com. Acesso em: 4 dez. 2018, adaptado.)
Considerando-se as operações de retomada de informações na estruturação do texto, há interdependência entre as expressões
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Gabarito: D) 'O gigante do Brasil' e 'O Pedro mencionado'.
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Questão 27Fácil
[Foto: cadeiras e poltronas modernas de linhas retas, em ambiente de sala de espera.]
(RODRIGUES, S. Acervo pessoal.)
A revolução estética brasiliense empurrou os designers de móveis dos anos 1950 e início dos 1960 para o novo. Induzidos a abandonar o gosto rebuscado pelo colonial, a trocar Ouro Preto por Brasília, eles criaram um mobiliário contemporâneo que ainda hoje vemos nas lojas e nas salas de espera de consultórios ou escritórios. Colada no uso de madeiras nobres, como o jacarandá e a peroba, e em materiais de revestimento como o couro e a palhinha, desenvolveu-se uma tendência feita de linhas retas e curvas suaves, nos moldes da capital no Cerrado.
(CHAVES, D. Disponível em: www.veja.abril.com.br. Acesso em: 29 jul. 2010.)
Na reportagem sobre os 50 anos de Brasília, de Débora Chaves, com a reprodução fotográfica de cadeiras e poltronas de Sérgio Rodrigues, verifica-se que os elementos da estética brasiliense
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Gabarito: E) surgem na simplificação das informações visuais de cada composição.
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Questão 28Médio
Thumbs Up
Ponto positivo para o Facebook, que vai dar uma ajeitada na casa para, quem sabe, não ser mais conhecido como o espaço da treta. Durante a F8, sua conferência anual, a empresa anunciou a maior mudança de design em 5 anos. Agora, o polêmico feed de notícias deixa de ser o protagonista, e o queridinho da rede social se torna um segmento de Grupos (é o Orkut fazendo escola?). Segundo Mark Zuckerberg, mais de 1 bilhão de usuários mensais entram nessa aba do aplicativo, e 400 mil deles já estão integrados em grupos de "assuntos significativos". O objetivo agora é aumentar o tráfego, oferecendo mais sugestões e ferramentas especiais para quem gerencia essas comunidades. Além disso, o Marketplace, que já tem mais de 800 milhões de usuários, vai ganhar mais atenção e integração. Com isso, parece que há um novo padrão se montando na rede social: sai o feed, entra a segmentação, que pode ser uma boa porta para monetização nos próximos anos. No mesmo evento, Zuckerberg também disse que o futuro do Facebook é a privacidade, mas não deu muitos detalhes de como vai proteger seus clientes daqui para frente. Evitar que vazamentos de dados dos usuários aconteçam é um bom começo.
#FicaaDica
(Disponível em: https://thebrief.us16.list-manage.com. Acesso em: 3 maio 2019, adaptado.)
O texto relata que uma rede social virtual realizará sua maior mudança de design dos últimos anos. Esse fato revela que as tecnologias de informação e comunicação
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Gabarito: B) assimilam os comportamentos dos usuários.
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Questão 29Médio
Reaprender a ler notícias
Não dá mais para ler um jornal, revista ou assistir a um telejornal da mesma forma que fazíamos até o surgimento da rede mundial de computadores. O Observatório da Imprensa antecipou isso lá nos idos de 1996 quando cunhou o slogan "Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito". De fato, hoje já não basta ler o que está escrito ou falado para estar bem informado. É preciso conhecer as entrelinhas e saber que não há objetividade e nem isenção absolutas, porque cada ser humano vê o mundo de uma forma diferente. Ter um pé atrás passou a ser a regra básica número um de quem passa os olhos por uma primeira página, capa de revista ou chamadas de um noticiário na TV.
Há uma diferença importante entre desconfiar de tudo e procurar ver o maior número possível de lados de um mesmo fato, dado ou evento. Apenas desconfiar não resolve porque se trata de uma atitude passiva. É claro, tudo começa com a dúvida, mas a partir dela é necessário ser proativo, ou seja, investigar, estudar, procurar os elementos ocultos que sempre existem numa notícia. O começo é um esforço solitário que pode se tornar coletivo à medida que mais pessoas descobrem sua vulnerabilidade informativa.
(Disponível em: www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 30 set. 2015, adaptado.)
No texto, os argumentos apresentados permitem inferir que o objetivo do autor ao convencer os leitores é
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Gabarito: C) adotarem uma postura crítica em relação às informações recebidas.
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Questão 30Difícil
Não que Pelino fosse químico, longe disso; mas era sábio, era gramático. Ninguém escrevia em Tubiacanga que não levasse bordoada do Capitão Pelino, e mesmo quando se falava em algum homem notável lá no Rio, ele não deixava de dizer: "Não há dúvida! O homem tem talento, mas escreve: 'um outro', 'de resto'..." E contraía os lábios como se tivesse engolido alguma cousa amarga.
Toda a vila de Tubiacanga acostumou-se a respeitar o solene Pelino, que corrigia e emendava as maiores glórias nacionais. Um sábio...
Ao entardecer, depois de ler um pouco o Sotero, o Candido de Figueiredo ou o Castro Lopes, e de ter passado mais uma vez a tintura nos cabelos, o velho mestre-escola saía vagarosamente de casa, muito abotoado no seu paletó de brim mineiro, e encaminhava-se para a botica do Bastos a dar dous dedos de prosa. Conversar era um modo de dizer, porque era Pelino avaro de palavras, limitando-se tão-somente a ouvir. Quando, porém, dos lábios de alguém escapava a menor incorreção de linguagem, intervinha e emendava. "Eu asseguro, dizia o agente do Correio, que..." Por aí, o mestre-escola intervinha com mansuetude evangélica: "Não diga 'asseguro', Senhor Bernardes; em português é garanto".
E a conversa continuava depois da emenda, para ser de novo interrompida por outra. Por essas e outras, houve muitos palestradores que se afastaram, mas Pelino, indiferente, seguro dos seus deveres, continuava o seu apostolado do vernaculismo.
(BARRETO, L. A Nova Califórnia. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 24 jul. 2019.)
Do ponto de vista linguístico, a defesa da norma-padrão pelo personagem caracteriza-se por
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Gabarito: E) desconsiderar diferentes níveis de formalidade nas situações de comunicação.
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Questão 31Fácil
O skate apareceu como forma de vivência no lazer em períodos de baixa nas ondas e ficou conhecido como "surfinho". No início foram utilizados eixos e rodinhas de patins pregados numa madeira qualquer, para sua composição, sendo as rodas de borracha ou ferro. O grande marco na história do skate ocorreu em 1974, quando o engenheiro químico chamado Frank Nasworthy descobriu o uretano, material mais flexível, que oferecia mais aderência às rodas. A dependência dos skatistas em relação a esse novo material igualmente alavancou o surgimento de novas manobras e possibilitou a um maior número de pessoas inexperientes começar a prática dessa modalidade. O resultado foi a criação de campeonatos, marcas, fábricas e lojas especializadas.
(ARMBRUST, I.; LAURO, F. A. A. O skate e suas possibilidades educacionais. Motriz, jul.-set. 2010, adaptado.)
De acordo com o texto, diversos fatores ao longo do tempo
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Gabarito: A) contribuíram para a democratização do skate.
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Questão 32Médio
Estojo escolar
Rio de Janeiro — Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação espacial.
[...] Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de computador portátil.
No sábado, recebi um embrulho complicado que necessitava de um manual de instruções para ser aberto.
[...] De repente, como vem acontecendo nos últimos tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o jardim de infância.
Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tampa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro, arrumados em divisões, havia lápis coloridos, um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros.
[...] Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. [...]
O notebook que agora abro é negro e, em matéria de cheiro, é abominável. Cheira vilmente a telefone celular, a cabine de avião, ao aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei de estojo e de vida.
(CONY, C. H. Crônicas para ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2009, adaptado.)
No texto, há marcas da função da linguagem que nele predomina. Essas marcas são responsáveis por colocar em foco o(a)
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Gabarito: D) enunciador, buscando expressar sua atitude em relação ao conteúdo do enunciado.
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Questão 33Médio
[Quadrinhos, seis quadros: 1) "A pesquisa foi o primeiro passo na produção deste livro" / "Deixa de drama, a maior parte do material está on-line"; 2) "Seguida da seleção das informações e da elaboração de um roteiro" / "O desenho feito à tinta" / "Não olha ainda"; 3) "E depois editado e colorizado digitalmente"; 4) "Depois de todo esse trabalho, este livro só precisa de mais uma coisa" / "Ser lido."]
(LEMOS, A. Artistas brasileiras. Belo Horizonte: Miguilim, 2018.)
O que assegura o reconhecimento desse texto em quadrinhos como prefácio é o(a)
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Gabarito: A) função de apresentação do livro.
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Questão 34Fácil
[Infográfico: "OS RISCOS PARA CRIANÇAS DO USO DO CELULAR ANTES DE DORMIR" — estudo do King's College conclui que essas crianças e adolescentes têm maior risco de obesidade, baixo sistema imunológico, crescimento atrofiado e depressão. Ícones explicam: melatonina, leptina, cortisol; a luz forte penetra no olho e confunde o relógio biológico; a criança demora a dormir, acorda mais vezes e descansa menos; isso pode levar a problemas de comportamento e de atenção às aulas; prejudica também o processamento da memória. "O QUE FAZER?": ficar entre 30 minutos e 2 horas sem telas antes de ir para a cama; reduzir a intensidade da luz emitida; manter o telefone longe, porém no quarto, não resolve; a expectativa de receber mensagens é suficiente para atrapalhar o sono.]
(Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 18 jun. 2019, adaptado.)
No texto, os recursos verbais e não verbais empregados têm por objetivo
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Gabarito: B) influenciar o leitor a mudar atitudes e hábitos considerados prejudiciais às crianças.
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Questão 35Médio
Singular ocorrência
— Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no adro para dar uma esmola.
— De preto?
— Justamente; lá vai entrando; entrou.
— Não ponha mais na carta. Esse olhar está dizendo que a dama é uma recordação de outro tempo, e não há de ser muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz.
— Deve ter quarenta e seis anos.
— Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?
— Não.
— Bem; o marido ainda vive. É velho?
— Não é casada.
— Solteira?
— Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal. Em 1860 florescia com o nome familiar de Marocas. Não era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá excluindo as profissões e chegará lá. Morava na Rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda do que hoje; modos sérios, linguagem limpa.
(ASSIS, M. Machado de Assis: seus 30 melhores contos. Rio de Janeiro: Aguilar, 1961.)
No diálogo, descortinam-se aspectos da condição da mulher em meados do século XIX. O ponto de vista dos personagens manifesta conceitos segundo os quais a mulher
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Gabarito: D) tem sua identidade e seu lugar referendados pelo homem.
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Questão 36Médio
TEXTO I
[Foto: uma máscara africana feita de sacos plásticos e tecidos coloridos amarrados.]
(HAZOUMÉ, R. Nanawax. Plástico e tecido. Galerie Gagosian, 2009.)
(Disponível em: www.actuart.org. Acesso em: 19 jun. 2019.)
TEXTO II
As máscaras não foram feitas para serem usadas; elas se concentram apenas nas possibilidades antropomórficas dos recipientes plásticos descartados e, ao mesmo tempo, chamam a atenção para a quantidade de lixo que se acumula em quase todas as cidades ou aldeias africanas.
(FARTHING, S. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011, adaptado.)
Romuald Hazoumé costuma dizer que sua obra apenas manda de volta ao oeste o refugo de uma sociedade de consumo cada vez mais invasiva. A obra desse artista africano que vive no Benin denota o(a)
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Gabarito: B) reposicionamento estético de objetos por meio da mudança de função.
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Questão 37Médio
Comportamento geral
Você deve estampar sempre um ar de alegria
E dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
E esquecer que está desempregado
Você merece
Você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com teu carnaval
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: muito obrigado
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um fusca no juízo final
E diploma de bem-comportado
(GONZAGUINHA. Luiz Gonzaga Jr. Rio de Janeiro: Odeon, 1973, fragmento.)
Pela análise do tema e dos procedimentos argumentativos utilizados na letra da canção composta por Gonzaguinha na década de 1970, infere-se o objetivo de
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Gabarito: A) ironizar a incorporação de ideias e atitudes conformistas.
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Questão 38Difícil
Se for possível, manda-me dizer:
— É lua cheia. A casa está vazia —
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vós monotonia
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
— É lua nova —
E revestida de luz te volto a ver.
(HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.)
Falando ao outro, o eu lírico revela-se vocalizando um desejo que remete ao
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Gabarito: C) sonho de autorrealização desenhado pela memória.
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Questão 39Médio
Falso moralista
Você condena o que a moçada anda fazendo
e não aceita o teatro de revista
arte moderna pra você não vale nada
e até vedete você diz não ser artista
Você se julga um tanto bom e até perfeito
Por qualquer coisa deita logo falação
Mas eu conheço bem o seu defeito
e não vou fazer segredo não
Você é visto toda sexta no Joá
e não é só no Carnaval que vai pros bailes se acabar
Fim de semana você deixa a companheira
e no bar com os amigos bebe bem a noite inteira
Segunda-feira chega na repartição
pede dispensa para ir ao oculista
e vai curar sua ressaca simplesmente
Você não passa de um falso moralista
(NELSON SARGENTO. Sonho de um sambista. São Paulo: Eldorado, 1979.)
As letras de samba normalmente se caracterizam por apresentarem marcas informais do uso da língua. Nessa letra de Nelson Sargento, são exemplos dessas marcas
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Gabarito: A) 'falação' e 'pros bailes'.
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Questão 40Difícil
Introdução a Alda
Dizem que ninguém mais a ama. Dizem que foi uma boa pessoa. Sua filha de doze anos raramente se lembra dela. Puseram-na numa cidade triste de uniformes azuis e jalecos brancos, de onde não pôde mais sair. Lá, todos gritam-lhe irritados, mal se aproxima, ou lhe batem, como com sacos de areia para treinar os músculos.
Sei que para todos ela já não é, e ninguém lhe daria uma maçã cheirosa, bem vermelha. Mas não é verdade que alguém não a possa mais amar. Eu amo-a. Amo-a quando a vejo por trás das grades do palácio, onde se refugiou princesa, chegada pelos caminhos da dor. Quando fora do reino sente o mundo de mil lanças, e selvagem prepara-se, posta ao olhar. Amo-a quando criança brinca na areia sem medo. Uns pés descalços, uma mulher sem intenções. Cercada de mundo, às vezes sofrendo o ainda.
(CANÇADO, M. L. O sofredor do ver. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.)
Ao descrever uma mulher internada em um hospital psiquiátrico, o narrador compõe um quadro que expressa sua percepção
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Gabarito: C) alimentada pela imersão lírica no espaço da segregação.
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Questão 41Difícil
O pavão vermelho
Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
quando é estridente em meu quintal a aurora.
Clarim de lacre, este pavão vermelho,
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.
É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.
Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.
(COSTA, S. Poesia completa: Sosígenes Costa. Salvador: Conselho Estadual de Cultura, 2001.)
Na construção do soneto, as cores representam um recurso poético que configura uma imagem com a qual o eu lírico
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Gabarito: C) experimenta a fusão de percepções sensoriais.
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Questão 42Difícil
[Pintura Pop Art: uma jovem loira, em estilo de história em quadrinhos, segura uma bola de praia sobre a cabeça, sorrindo.]
(LICHTENSTEIN, R. Garota com bola. Óleo sobre tela, 153 cm x 91,9 cm. Museu de Arte Moderna de Nova York, 1961.)
(Disponível em: www.moma.org. Acesso em: 4 dez. 2018.)
A obra, da década de 1960, pertencente ao movimento artístico Pop Art, explora a beleza e a sensualidade do corpo feminino em uma situação de divertimento. Historicamente, a sociedade inventou e continua reinventando o corpo como objeto de intervenções sociais, buscando atender aos valores e costumes de cada época. Na reprodução desses preceitos, a erotização do corpo feminino tem sido constituída pela
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Gabarito: C) educação do gesto, da vontade e do comportamento.
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Questão 43Médio
[Quadrinhos, seis quadros que narram uma fuga de pessoas escravizadas por meio de um rio/mar, com falas: "O tata contou sobre o Calunga, o mar que não acaba." / "Longe daqui..." / "Nana, se a gente beber a nsanga e enfrentar o Calunga, podemos ficar juntos lá na outra terra." / "...longe disso tudo".]
(D'SALETE, M. Cumbe. São Paulo: Veneta, 2018, p. 10-11, adaptado.)
A sequência dos quadrinhos conjuga lirismo e violência ao
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Gabarito: D) acentuar a resistência identitária dos povos escravizados.
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Questão 44Médio
Naquele tempo, Itaguaí, que, como as demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não dispunha de imprensa, tinha dois modos de divulgar uma notícia; ou por meio de cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e da matriz; — ou por meio de matraca.
Eis em que consistia este segundo uso. Contratava-se um homem, por um ou mais dias, para andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão. De quando em quando tocava a matraca, reunia-se gente, e ele anunciava o que lhe incumbiam, terras lavradias, um soneto, um donativo eclesiástico, a melhor tesoura da vila, o mais belo discurso do ano, etc. O sistema tinha inconvenientes para a paz pública; mas era conservado pela grande energia de divulgação que possuía. Por exemplo, um dos vereadores desfrutava a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, e aliás nunca domesticara um só desses bichos; mas tinha o cuidado de fazer trabalhar a matraca todos os meses. E dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam ter visto cascavéis dançando no peito do vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devida à absoluta confiança no sistema. Verdade, verdade, nem todas as instituições do antigo régimen mereciam o desprezo do nosso século.
(ASSIS, M. O alienista. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 2 jun. 2019.)
O fragmento faz uma referência irônica a formas de divulgação e circulação de informações em uma localidade sem imprensa. Ao destacar a confiança da população no sistema da matraca, o narrador associa esse recurso à disseminação de
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Gabarito: D) informações não fidedignas.
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Questão 45Médio
No ano em que o maior clarinetista que o Brasil conheceu, Abel Ferreira, faria 100 anos, o choro dá mostras de vivacidade. É quase um paradoxo que essa riquíssima manifestação da genuína alma brasileira seja forte o suficiente para driblar a falta de incentivos oficiais, a insensibilidade dos meios de comunicação e a amnésia generalizada. "Ele trazia a alma brasileira derramada em sua sonoridade ímpar. Artur da Távola, seguramente seu maior admirador, foi quem melhor o definiu, 'alma sertaneja, toque mozarteano'". O acervo do músico autodidata nascido na mineira Coromandel, autor de 50 músicas, entre as quais Chorando baixinho (1942), que o consagrou, amigo e parceiro de Pixinguinha, com quem gravou Ingênuo (1958), permanece com os herdeiros à espera de compilação adequada. O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro tem a guarda do sax e do clarinete, doados em 1995.
Na avaliação de Leonor Bianchi, editora da Revista do Choro, "a música instrumental fica apartada do que é popular porque não vai à sala de concerto. O público em geral tem interesse em samba, pagode e axé". Ela atribui essa situação à falta de conhecimento e à pouca divulgação do gênero nas escolas.
(FERRAZ, A. Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 3 out. 2015.)
Considerando-se o contexto, o gênero e o público-alvo, os argumentos trazidos pela autora do texto buscam
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Gabarito: C) destacar a relevância histórica e a riqueza estética do choro no cenário musical brasileiro.
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